Incêndio na Andaluzia causa mais de uma dezena de mortos e pelo menos 23 desaparecidos

Incêndio na Andaluzia causa mais de uma dezena de mortos e pelo menos 23 desaparecidos

As primeiras investigações apontam para a queda de um cabo elétrico como causa do incêndio, que está já a ser apontado como o maior alguma vez registado na região de Almería.

RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: Chema Artero - Reuters

Um fogo florestal que começou na quinta-feira em Los Gallardos causou pelo menos 12 mortos e oito feridos, quatro deles em estado grave, segundo as autoridades de Andaluzia, no sul de Espanha. A maioria das vítimas mortais será de nacionalidade estrangeira, mas já se confirmou pelo menos um cidadão espanhol.

Os feridos foram transferidos para o Hospital Virgen del Rocío, em Sevilha. Há também pelo menos 23 pessoas desaparecidas.

Suspeita-se que a origem do incêndio tenha sido uma linha privada de eletricidade que abastecia uma habitação e um restaurante que já se encontram abandonados.

A empresa de eletricidade Endesa, principal fornecedora de eletricidade na zona, afirma que a linha elétrica apontada como origem do incêndio não pertence à sua rede, tal como referiu a empresa Red Eléctrica. A região da Andaluzia é atravessada nesta altura por uma vaga de calor, associada a ventos fortes que alimentaram a velocidade do fogo.

Antonio Sanz, conselheiro regional da Presidência, Saúde e Emergências, explicou que as vítimas foram surpreendidas por um "incêndio de propagação extremamente rápida" numa zona de terreno complexo e com casas dispersas na encosta.

As vítimas, que se suspeita serem turistas estrangeiros, tentaram abandonar o local por um percurso diferente da via de evacuação designada e foram alcançadas pelas chamas.

As autoridades acreditam que a maioria das vítimas era britânica, com base na posição do volante dos veículos encontrados no local, embora a identificação formal ainda esteja pendente.

Quatro das vítimas morreram dentro de um veículo, enquanto outras sete foram encontradas sem vida depois de, aparentemente, terem abandonado os seus carros para tentarem fugir a pé.

Foi necessário evacuar várias localidades e foram retiradas mais de mil pessoas.

O vice-delegado do governo regional da Andaluzia informou que 23 pessoas continuam desaparecidas. A Unidade Militar de Emergência (UME) mobilizou 200 agentes e 70 viaturas de diversos tipos para auxiliar nos esforços de combate ao incêndio na região.MNE sem registo de vítimas portuguesas
O Ministério português dos Negócios Estrangeiros disse entretanto estar a acompanhar a situação do incêndio florestal em Espanha, não tendo indicação de vítimas portuguesas.

"Estamos a acompanhar com o consulado geral de Sevilha [a situação causada pelo incêndio], mas até ao momento não há confirmação de portugueses feridos ou mortos", disse à agência Lusa fonte do MNE.

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, enviou entretanto uma mensagem de condolências pelas vítimas do incêndio na região de Almeria e salientou que os fogos florestais são um desafio comum a Espanha e Portugal, países que se "socorrem mutuamente".

"Recebi com enorme tristeza as notícias do trágico incêndio de Los Gallardos na província espanhola de Almeria", escreveu na rede social X.

"Apresento a todas as vítimas, seus familiares e amigos as mais sentidas condolências. Em nome de Portugal, deixo também uma palavra de conforto a todos os espanhóis. Estaremos sempre juntos", acrescentou. 
Maior tragédia deste género em Espanha nos últimos anos
A RTP falou com João Gonçalves, diretor desportivo do UD Almería, que comparou este incêndio com o de Pedrógão Grande em 2017 devido à velocidade das chamas e por ter “apanhado de surpresa as pessoas que estavam a tentar fugir”.

“Nunca tinha havido aqui um incêndio com estas proporções e com estas vítimas”, disse o português, acrescentando que as chamas estão a rodear casas.

“Foi uma coisa tão rápida que não deu para reagir”, contou. “Os acessos são muito maus, a topografia da zona também é má, e portanto há sítios onde [os operacionais] não conseguem chegar, tem de ser mesmo por meios aéreos”.

Los Gallardos - onde o fogo selvagem se instalou - é um município da província de Almeria, na comunidade autónoma da Andaluzia. A Junta da Andaluzia decretou três dias de luto oficial.

Depois dos grandes incêndios de há quatro anos em Zamora, um na Sierra Culebra e outro em Losacio, que fizeram ao todo oito mortos, este é o incêndio mais trágico vivido em Espanha.

Este ano já arderam em Espanha 393 hectares, de acordo com o sistema de informação europeu de fogos florestais.

O incêndio florestal em curso em Los Gallardos figura entre os mais mortíferos registados em Espanha neste século, embora abaixo das tragédias ocorridas na Grécia e em Portugal em anos recentes.
Casa Real presta condolências
O rei e a rainha de Espanha disseram estar “profundamente consternados com a tragédia do incêndio em Los Gallardos”, em Almería, transmitindo as suas condolências às famílias das vítimas e aos afetados e fazendo um minuto de silêncio durante uma cerimónia.

“Expressamos a nossa tristeza e condolências às famílias e aos entes queridos dos falecidos e a todos os afetados”, declarou a Casa Real numa mensagem na rede social X.



O rei e a rainha manifestaram ainda o seu reconhecimento e apoio “aos serviços de emergência e a todo o pessoal que, com profissionalismo e empenho, continua a trabalhar para lidar com esta situação”.


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