Incêndio na Andaluzia causa mais de uma dezena de mortos e pelo menos 23 desaparecidos
As primeiras investigações apontam para a queda de um cabo elétrico como causa do incêndio, que está já a ser apontado como o maior alguma vez registado na região de Almería.
Suspeita-se que a origem do incêndio tenha sido uma linha privada de eletricidade que abastecia uma habitação e um restaurante que já se encontram abandonados.
A empresa de eletricidade Endesa, principal fornecedora de eletricidade na zona, afirma que a linha elétrica apontada como origem do incêndio não pertence à sua rede, tal como referiu a empresa Red Eléctrica. A região da Andaluzia é atravessada nesta altura por uma vaga de calor, associada a ventos fortes que alimentaram a velocidade do fogo.
O Ministério português dos Negócios Estrangeiros disse entretanto estar a acompanhar a situação do incêndio florestal em Espanha, não tendo indicação de vítimas portuguesas.
"Estamos a acompanhar com o consulado geral de Sevilha [a situação causada pelo incêndio], mas até ao momento não há confirmação de portugueses feridos ou mortos", disse à agência Lusa fonte do MNE.
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, enviou entretanto uma mensagem de condolências pelas vítimas do incêndio na região de Almeria e salientou que os fogos florestais são um desafio comum a Espanha e Portugal, países que se "socorrem mutuamente".
"Recebi com enorme tristeza as notícias do trágico incêndio de Los Gallardos na província espanhola de Almeria", escreveu na rede social X.
"Apresento a todas as vítimas, seus familiares e amigos as mais sentidas condolências. Em nome de Portugal, deixo também uma palavra de conforto a todos os espanhóis. Estaremos sempre juntos", acrescentou.
Recebi com enorme tristeza as notícias do trágico incêndio de Los Gallardos na província espanhola de Almería.
— Luís Montenegro (@LMontenegro_PT) July 10, 2026
Os incêndios são um desafio comum a Portugal e a Espanha, que tantas vezes se socorrem mutuamente.
Apresento a todas as vítimas, seus familiares e amigos as mais…
A RTP falou com João Gonçalves, diretor desportivo do UD Almería, que comparou este incêndio com o de Pedrógão Grande em 2017 devido à velocidade das chamas e por ter “apanhado de surpresa as pessoas que estavam a tentar fugir”.
“Nunca tinha havido aqui um incêndio com estas proporções e com estas vítimas”, disse o português, acrescentando que as chamas estão a rodear casas.
“Foi uma coisa tão rápida que não deu para reagir”, contou. “Os acessos são muito maus, a topografia da zona também é má, e portanto há sítios onde [os operacionais] não conseguem chegar, tem de ser mesmo por meios aéreos”.
Los Gallardos - onde o fogo selvagem se instalou - é um município da província de Almeria, na comunidade autónoma da Andaluzia. A Junta da Andaluzia decretou três dias de luto oficial.
Depois dos grandes incêndios de há quatro anos em Zamora, um na Sierra Culebra e outro em Losacio, que fizeram ao todo oito mortos, este é o incêndio mais trágico vivido em Espanha.
O incêndio florestal em curso em Los Gallardos figura entre os mais mortíferos registados em Espanha neste século, embora abaixo das tragédias ocorridas na Grécia e em Portugal em anos recentes.
“Expressamos a nossa tristeza e condolências às famílias e aos entes queridos dos falecidos e a todos os afetados”, declarou a Casa Real numa mensagem na rede social X.
Profundamente consternados por la tragedia del incendio de Los Gallardos.
— Casa de S.M. el Rey (@CasaReal) July 10, 2026
Expresamos nuestra tristeza y pesar a las familias y seres queridos de las personas fallecidas y hacia todos los afectados.
Trasladamos también nuestro reconocimiento y apoyo a los servicios de…
O rei e a rainha manifestaram ainda o seu reconhecimento e apoio “aos serviços de emergência e a todo o pessoal que, com profissionalismo e empenho, continua a trabalhar para lidar com esta situação”.